A empresa canadiana Mosaic Manufacturing lançou a Orion, uma plataforma de impressão 3D pensada especificamente para a produção de ortóteses personalizadas em laboratórios e clínicas de ortótica e prótese. A máquina já está disponível para encomenda, e a empresa está também a disponibilizar amostras de dispositivos e demonstrações do seu software para quem quiser avaliar a plataforma antes de decidir.
A Orion usa uma arquitetura de impressão baseada em tapete rolante, pensada para produzir dispositivos específicos de cada paciente de forma sequencial, um a seguir ao outro, sem necessidade de organizar a produção em lotes tradicionais. Segundo a Mosaic, esta gestão automática de fila permite produção sem vigilância durante a noite e ao fim de semana, com uma única máquina capaz de produzir até 300 pares de ortóteses por mês.
Este é um bom exemplo de como a impressão 3D continua a avançar em aplicações médicas altamente personalizadas, onde cada peça produzida é única e ajustada à anatomia de um paciente específico.
Dois materiais para dois tipos de ortótese
A Orion é suportada por dois materiais próprios da Mosaic. O Aero é um material semelhante a EVA, pensado para ortóteses de casca mole e acomodativas, com uma superfície final lisa e uniforme, desenhado para conforto e resiliência. Ao cobrir tanto dispositivos moles como rígidos numa única plataforma, a Mosaic descreve a Orion como a única plataforma de impressão do seu tipo atualmente disponível, permitindo que laboratórios tragam uma fatia maior da sua produção para dentro de casa, em vez de depender de processos mais fragmentados.
Segundo a empresa, cada par de ortóteses demora cerca de uma hora e 45 minutos a imprimir, a um custo aproximado de seis dólares por par, com as peças a sair da mesa de impressão já prontas, sem necessidade de uma cobertura superior adicional.
O problema que a Mosaic quer resolver
Segundo Mitch Debora, diretor executivo da Mosaic, o pedido dos fabricantes de ortóteses era claro, queriam avançar para produção digital, mas as ferramentas disponíveis no mercado, fragmentadas entre diferentes fornecedores, tornavam esse processo doloroso. A resposta da empresa foi criar uma solução ponta a ponta, que os fabricantes pudessem implementar com confiança.
Os clientes podem usar o conjunto de software Stryde da própria Mosaic, que cobre digitalização, design e produção, ou ligar a Orion a um sistema de CAD/CAM já existente e compatível, dando alguma flexibilidade a laboratórios que já tenham fluxos de trabalho estabelecidos.
Um mercado que vai além da velocidade de impressão
Vale a pena notar que a Mosaic sublinha que a produção de ortóteses em maior escala já não depende apenas da velocidade de impressão. A empresa aponta o exemplo da Hike Medical, que opera mais de 600 impressoras 3D numa instalação centralizada, mas onde processos administrativos como encaminhamento de referências, aprovação de seguros e encomendas de dispositivos podem criar atrasos que a velocidade de fabrico, por si só, não resolve. Isto sugere que o software de gestão do fluxo de trabalho é tão importante quanto o próprio hardware de impressão para quem quer escalar este tipo de produção.
Porque interessa esta notícia
A ortótica personalizada é uma das aplicações médicas onde a impressão 3D já tem uma vantagem clara sobre métodos tradicionais, já que cada dispositivo precisa de se ajustar à anatomia específica de um paciente. Uma plataforma dedicada, capaz de lidar com materiais moles e rígidos e integrada num fluxo de trabalho clínico, pode ajudar mais laboratórios a fazer a transição de processos manuais para produção digital sem ter de reconstruir todo o seu fluxo de trabalho do zero.
O que fica desta notícia
A Orion mostra como a impressão 3D continua a encontrar espaço em aplicações médicas altamente personalizadas, onde a capacidade de produzir peças únicas para cada paciente, de forma automatizada e sem grande intervenção manual, traz vantagens claras sobre os métodos tradicionais de fabrico de ortóteses.




