O projeto Skovsporet, na cidade dinamarquesa de Holstebro, acaba de receber os seus primeiros moradores. São 36 estudantes que passam a viver num conjunto de apartamentos cujas paredes estruturais foram impressas em 3D com betão, naquele que continua a ser considerado o maior projeto habitacional impresso em 3D da Europa.
O projeto foi encomendado pela NordVestBO, uma organização de habitação acessível do oeste da Dinamarca, e desenvolvido pelo atelier SAGA Space Architects em parceria com o MS+ Arkitekter Studio. A impressão foi executada pela 3DCP Group com uma impressora de construção COBOD BOD3, junto ao campus do VIA University College.
Já tínhamos falado deste projeto quando a fase de impressão foi concluída. A novidade agora é que o processo chegou ao fim por completo, com os apartamentos entregues, mobilados e habitados, e o início do ano letivo a servir de motivo perfeito para a mudança.
Como está organizado o bairro
O Skovsporet é composto por seis edifícios de um só piso, cada um com seis apartamentos, num total de 36 unidades e cerca de 1650 metros quadrados de área construída. Cada apartamento tem entre 38 e 50 metros quadrados e inclui cozinha, zona de estudo, sala, casa de banho e quarto, um programa compacto mas completo para a vida de um estudante.
Os edifícios estão organizados à volta de pátios e jardins partilhados, com caminhos pedonais e estacionamento para bicicletas a ligar o conjunto. Durante a obra, cerca de 90 por cento das árvores já existentes no terreno foram preservadas, o que ajuda a explicar o nome do projeto, que significa literalmente o trilho da floresta.
A impressão que ficou mais rápida à medida que avançava
As paredes estruturais foram impressas no local com uma equipa de apenas três pessoas a operar a impressora COBOD BOD3, que deposita uma mistura semelhante a betão camada a camada, seguindo um modelo digital com precisão milimétrica.
O primeiro dos seis edifícios demorou várias semanas a imprimir. O último ficou concluído em apenas cinco dias, o que equivale a mais de um apartamento impresso por dia. Este ganho de produtividade ao longo da obra é um dos aspetos mais interessantes do projeto, porque mostra como a curva de aprendizagem de uma equipa numa obra de impressão 3D em grande escala pode traduzir-se em ganhos reais de tempo.
O material usado nas paredes é o D.fab, um betão que incorpora o FUTURECEM, um cimento de baixo carbono desenvolvido pela Aalborg Portland. O telheiro para as bicicletas foi impresso com o MEVOcem, um material sem qualquer percentagem de cimento, que reduz em 84 por cento as emissões de CO2 face ao betão tradicional.
Um projeto dentro do limite de custo da habitação social
Um dado relevante para quem acompanha o potencial económico da impressão 3D na construção é o custo final da obra, que ficou em cerca de 1880 euros por metro quadrado, dentro do teto de custos definido para habitação social na Dinamarca. Isto reforça um dos argumentos mais usados a favor desta tecnologia, que é a possibilidade de construir mais depressa e com menos mão de obra sem disparar o preço final por unidade.
Porque é que este projeto continua a interessar
O Skovsporet já não é apenas uma demonstração de conceito. É um bairro habitado, dentro do orçamento de habitação social, construído com uma equipa reduzida e com tempos de impressão que melhoraram claramente ao longo da obra. Para o setor da construção impressa em 3D, é um dos exemplos mais concretos até hoje de que esta tecnologia pode sair do terreno experimental e entregar habitação real, a uma escala que já não é apenas uma casa isolada de demonstração.
A 3DCP Group e a SAGA já estão a estudar novas configurações de materiais para projetos futuros, o que sugere que o Skovsporet será tratado como ponto de partida e não como um caso isolado.



