O AMS da Bambu Lab e o CFS da Creality são hoje os dois sistemas mais populares para impressão automática multicor em impressoras de consumo. Ambos resolvem o mesmo problema, trocar filamento automaticamente durante a impressão sem intervenção manual, mas fazem-no de forma ligeiramente diferente, com implicações práticas para quem está a escolher entre as duas marcas.
Como funcionam os dois sistemas
Tanto o AMS como o CFS partem da mesma ideia base. Uma unidade externa guarda várias bobinas de filamento, e quando a impressão precisa de mudar de cor ou de material, o sistema recua o filamento atual, corta-o, e alimenta o novo até ao cabeçote de impressão, purgando uma pequena quantidade antes de continuar a imprimir para garantir que a nova cor sai limpa.
O AMS da Bambu Lab guarda as bobinas numa unidade selada e usa leitura por RFID para identificar automaticamente o tipo e a cor de cada filamento Bambu Lab colocado na máquina. O CFS da Creality segue uma lógica semelhante, com leitura NFC para identificar filamentos Creality, mas guarda as quatro bobinas lado a lado numa câmara também selada, com a vantagem adicional de funcionar como caixa seca, mantendo o filamento protegido da humidade através de aquecimento, ventilação e um compartimento para sílica.
Capacidade e escalabilidade
Os dois sistemas funcionam de forma modular. Cada unidade AMS ou CFS guarda quatro bobinas, e é possível encadear várias unidades para aumentar a capacidade total. Tanto o AMS como o CFS conseguem escalar até dezasseis cores ou materiais diferentes ao ligar quatro unidades em conjunto, o que torna esta característica praticamente equivalente entre as duas marcas.
A grande diferença de capacidade aparece em modelos específicos com dois nozzles, como o Bambu Lab H2D, que ao combinar dois cabeçotes com o AMS consegue chegar a até vinte e quatro cores, uma vantagem que a Creality ainda não tem um equivalente direto.
Controlo de humidade
Aqui está uma das diferenças mais práticas entre os dois sistemas. O CFS foi desenhado desde o início como caixa seca ativa, com aquecimento, ventilação e um mostrador digital que apresenta a temperatura e a humidade no painel frontal da unidade.
O AMS também tem sensor de humidade, mas a informação só é visível de forma detalhada através da aplicação da Bambu Lab, sem um mostrador físico direto na própria unidade. Para quem imprime materiais sensíveis à humidade com regularidade, o CFS oferece uma solução mais visível e imediata deste problema.
Compatibilidade com filamento de outras marcas
Ambos os sistemas foram pensados sobretudo para funcionar com filamento da própria marca, aproveitando a identificação automática por RFID ou NFC. Isto não impede o uso de filamento de terceiros em qualquer um dos sistemas, mas nesse caso perde-se a deteção automática de cor e tipo de material, sendo necessário configurar manualmente essa informação no slicer.
Compatibilidade entre modelos de impressora
O AMS tem hoje compatibilidade com uma gama mais alargada de modelos dentro do catálogo da Bambu Lab, desde a A1 Mini até à X1 Carbon, passando pela gama P e H. O CFS, pelo contrário, nasceu associado ao K2 Plus e continua com compatibilidade mais limitada dentro da gama Creality, o que é um ponto a considerar para quem já tem uma impressora Creality mais antiga e está apenas a pensar em adicionar impressão multicor.
Desperdício de material
Como os dois sistemas usam a mesma lógica de purga num único nozzle, o desperdício de material em impressões com muitas trocas de cor é semelhante entre AMS e CFS, tipicamente entre 5 e 15 gramas por cada mudança de cor, segundo testes independentes já realizados a ambos os sistemas. Quem procura eliminar quase por completo este desperdício deve olhar antes para sistemas com múltiplos nozzles ou toolchangers, e não para sistemas de troca de filamento num único bico como estes dois.
O que fica desta comparação
O AMS e o CFS são hoje soluções bastante equivalentes em capacidade e funcionamento, com o CFS a levar vantagem na visibilidade do controlo de humidade e o AMS a levar vantagem na compatibilidade com uma gama mais alargada de impressoras da própria marca. Na prática, a escolha entre os dois acaba quase sempre por depender de qual marca de impressora já tens ou pretendes comprar, mais do que de diferenças profundas entre os próprios sistemas de troca de filamento.



