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As impressoras 3D estão a ficar melhores depois de serem compradas: o papel do firmware e do software

Comprar uma impressora 3D já não significa adquirir uma máquina com características completamente definidas no momento da compra.

Cada vez mais, uma impressora 3D pode receber novas funcionalidades, melhorias de desempenho e correções através de atualizações de software e firmware.

A evolução recente da Prusa é um bom exemplo desta tendência.

A impressora deixou de ser apenas hardware

Uma impressora 3D moderna combina vários elementos:

Hardware + firmware + slicer + perfis + sensores + conectividade

O hardware determina aquilo que a máquina consegue fisicamente fazer.

Mas o firmware determina como muitos desses componentes funcionam.

O slicer decide como o modelo será transformado em movimentos.

E os perfis definem parâmetros específicos para cada impressora e material.

O que pode mudar através de uma atualização?

Uma atualização de firmware pode melhorar:

  • calibração;
  • sensores;
  • deteção de erros;
  • gestão do filamento;
  • velocidades;
  • movimentos;
  • conectividade;
  • segurança;
  • interface;
  • compatibilidade com novos componentes.

No caso do firmware 6.8.1 da Prusa, por exemplo, foram adicionadas funções como paragem imediata perante fim de filamento, calibração guiada e suporte para novos componentes.

O hardware também pode ser atualizado

A situação fica ainda mais interessante quando o fabricante permite combinar atualizações de hardware e software.

A nova gama Prusa introduziu componentes como o Nozzle Wiper e as correias GT1.5.

O firmware passa então a reconhecer e controlar esses novos componentes.

Isso cria uma espécie de evolução modular.

A impressora pode melhorar através de:

peças novas + firmware novo + software novo

O slicer também muda a experiência

Mesmo que a impressora permaneça fisicamente igual, uma nova versão do slicer pode alterar significativamente o resultado.

Um novo algoritmo de geração de suportes pode:

  • reduzir material;
  • diminuir tempo;
  • melhorar superfícies.

Uma nova estratégia de aceleração pode:

  • reduzir vibrações;
  • melhorar a qualidade;
  • aumentar a velocidade.

Novas funções de calibração podem facilitar a obtenção de melhores resultados.

A inteligência artificial vai acelerar esta tendência

A próxima etapa poderá passar pela inteligência artificial.

Já vemos sistemas capazes de analisar imagens da impressão, identificar falhas e ajudar na monitorização.

No futuro, será possível imaginar impressoras que aprendem com os resultados das impressões anteriores.

Por exemplo:

impressão → análise → deteção de problema → alteração automática dos parâmetros → nova impressão

Isso aproximaria a impressão 3D de um processo cada vez mais automatizado.

Uma impressora pode envelhecer mais devagar

Esta evolução tem uma consequência importante para os consumidores.

Uma impressora 3D não fica necessariamente “ultrapassada” apenas porque foi lançada há alguns anos.

Se o fabricante continuar a fornecer:

  • firmware;
  • perfis;
  • peças;
  • software;
  • suporte;

a máquina pode continuar a evoluir.

A própria Prusa afirma que as máquinas anteriores continuarão a receber firmware, melhorias no PrusaSlicer, perfis de impressão, peças e suporte.

Mas há limites

Software não consegue ultrapassar todas as limitações físicas.

Uma atualização não transforma uma impressora com nozzle de 0,4 mm numa máquina industrial.

Também não pode alterar fisicamente o volume de construção ou a capacidade térmica do hotend.

Existe sempre uma fronteira entre aquilo que pode ser melhorado através de software e aquilo que exige novo hardware.

O que isto significa para quem compra uma impressora?

Ao escolher uma impressora 3D, já não devemos olhar apenas para:

  • velocidade;
  • volume de impressão;
  • temperatura;
  • número de cores.

Também devemos avaliar:

  • frequência das atualizações;
  • qualidade do software;
  • suporte do fabricante;
  • disponibilidade de peças;
  • comunidade;
  • compatibilidade com slicers;
  • possibilidade de upgrades.

Uma máquina com bom ecossistema pode continuar a ser útil durante muitos anos.

O futuro pode ser mais modular

A evolução atual aponta para um modelo diferente.

Em vez de comprar uma impressora e mantê-la exatamente igual durante toda a sua vida útil, podemos ter máquinas que evoluem progressivamente.

Novos sensores.

Novos hotends.

Novos sistemas multimaterial.

Novo firmware.

Novo software.

Novos algoritmos.

A impressão 3D está, assim, a aproximar-se cada vez mais de outras áreas tecnológicas onde software e hardware evoluem em conjunto. E isso pode ser uma das mudanças mais importantes para os utilizadores nos próximos anos.

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